Coluna Semanal – Pandemia e saúde mental: Impacto no público infantil – Por Anne Caroline

A Coluna Semanal do Pauta de Hoje está no ar. A convidada desta semana é Anne Caroline, Psicóloga Clínica e Ludoterapeuta Formada pela Universidade de Pernambuco (UPE) com residência em Saúde Coletiva, pela Universidade de Pernambuco (UPE), especialista em Gestão da Clínica pelo Hospital Sírio Libanês e especialização em andamento em Neuropsicologia pelo Instituto JF Queiroz.

 

PANDEMIA E SAÚDE MENTAL: IMPACTO NO PÚBLICO INFANTIL

A pandemia causada pela COVID-19 vem gerando inúmeros danos à saúde física, mas passado pouco mais de um ano desse contexto uma nova preocupação surge: os impactos da pandemia também à saúde mental da população. Mudanças no estilo de vida, confinamento, luto, maior exposição à eletrônicos, impactos econômicos, restrições sociais, no trabalho, na educação, incerteza com relação ao futuro, aumento de sentimentos como: tristeza, ansiedade, tédio, frustração, medo, raiva, impotência, solidão, tudo isso levou algumas pessoas a desencadear problemas psicológicos e/ou transtornos mentais ou piorar doenças mentais já existentes.

Se para nós adultos esses impactos são devastadores, com as crianças não é diferente. De uma hora para outra tiveram suas aulas interrompidas – o que acarreta o rompimento com um dos principais espaços de socialização e aprendizado -, precisaram começar a usar máscara, se preocuparem com o risco de doença e morte, se afastarem dos amigos e familiares, alguns a lidar com luto, dentre outros. Independentemente da idade todo esse contexto que estamos vivendo irá afetar de alguma forma a vida das pessoas e por esse motivo é importante um olhar atento para as consequências da pandemia para o público infantil, visto que os transtornos que surgem na infância e adolescência acarretam prejuízos cumulativos até a idade adulta pois afetam as pessoas em plena fase de desenvolvimento.

Para prevenir os transtornos mentais no contexto atual, é preciso conhecer e antecipar as consequências da pandemia sobre a saúde mental de crianças. Identificar precocemente os primeiros problemas e agir sobre eles evita que piorem, bem como buscar estratégias de promoção do bem estar e da saúde mental dos pequenos.

Ainda não é possível ter uma dimensão real do impacto da pandemia na vida das crianças, porém, como Psicóloga, os efeitos psicológicos mais imediatos que venho percebendo na prática são: aumento nos níveis de estresse e ansiedade, choro fácil e frequente, dependência eletrônica, ansiedade de separação, dificuldade de atenção e concentração, alterações de sono e apetite, preocupações excessivas, dificuldades de aprendizagem e alterações comportamentais (regressão, agitação, irritabilidade, impaciência, agressividade). Todos esses fatores variam de acordo com a idade, com o contexto familiar e social e com a forma com que os adultos lidam com a situação.

Sobre isso, vale ressaltar que os pais tem uma importância enorme visto que podem identificar sinais e sintomas de maneira precoce, acolher e ajudar os filhos a processar e dá uma resposta adequada ao que estão sentindo, passando segurança e conforto. Porém devemos ficar atentos que os pais também estão sendo afetados física, social e emocionalmente pela pandemia e que dessa forma muitas vezes podem não perceberem ou mesmo agravar ainda mais os problemas emocionais de seus filhos. No entanto, é importante destacar que nem sempre as crianças sabem comunicar o que estão sentindo, portanto, é papel do adulto perceber e acolher as emoções das crianças.

Para amenizar os impactos psicológicos da pandemia para o público infantil algumas estratégias são fundamentais: sensibilidade por parte dos pais e/ou cuidadores para identificarem de maneira precoce alterações comportamentais ou sintomas psicológicos, acolhimento e segurança para ajudá-los a enfrentar as dificuldades, incentivo à prática de atividades físicas, rotina organizada (porém não de maneira rígida, a rotina é para servir como norte e deixar os limites bem definidos para a criança, ajudando-a a se regular melhor e para isso a flexibilidade é essencial), tempo de qualidade, brincadeiras, lazer e também muita paciência por parte dos adultos, para isso é fundamental o autocuidado, parece clichê, mas é real: só é possível cuidar bem de outra pessoa, especialmente de crianças, estando bem consigo mesmo.

Anne Caroline Souza Januário

 

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